REVEZAMENTO / TILS

RECOMENDAÇÃO DO TRABALHO EM DUPLA

Associação Gaúcha de Intérpretes de Língua de Sinais – AGILS – é uma entidade civil, não governamental, sem fins lucrativos e econômicos, que trabalha em prol da defesa dos direitos e deveres dos Tradutores e Intérpretes de Língua de Sinais (TILS) no Estado. É nosso papel dialogar, informar e esclarecer ao público em geral quanto às especificidades que envolvem as comunidades surdas, e principalmente quanto à importância do profissional intérprete, sendo esse fundamental para viabilizar a comunicação entre surdos e ouvintes e vice-versa, e sua presença um direito garantido em lei às pessoas surdas nos mais variados espaços.

Embora existam algumas leis já conquistadas pelas comunidades surdas brasileiras (Lei de Libras 10.436/2002 e Decreto 5.626/2005) e a profissão de intérprete reconhecida pela Lei 12.319/2010, a categoria ainda requer muitas melhorias e a criação de novas leis que garantam mais direitos e a valorização desses profissionais, um desses direitos ainda não oficializados é o que se refere à necessidade do trabalho em dupla (ou trios) ou intérprete de apoio, como também é conhecido.

Essa prática é bastante utilizada, principalmente na área educacional, em que as traduções são realizadas em períodos longos e demasiadamente desgastantes para os intérpretes (física e mentalmente), uma vez que o processo tradutório envolve duas línguas de estruturas linguísticas distintas (esforço mental) e de modalidades diferentes, língua oral-auditiva para viso-espacial ou vice-versa (esforço físico das mãos, pulsos, cotovelos, ombros, pescoço, coluna…). Alguns estudos mostram, assim como relatos de profissionais acometidos por lesões, que atuando por longos períodos e expostos a muita sobrecarga de interpretação, desenvolvem lesões por esforço repetitivo, inflamações nos ombros, problemas de coluna, entre outras moléstias. (http://hdl.handle.net/10183/57158).

A qualidade da tradução também passa a ser comprometida após a primeira hora de interpretação simultânea (ver Quadros, 2004, p. 70. Disponível: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/tradutorlibras.pdf). Para isso o intérprete de apoio estará para apoiar o (a) colega no processo tradutório, fornecendo-lhe os sinais da Língua Brasileira de Sinais (Libras), assim como outras estratégias de tradução que venha auxiliar no momento da tradução/interpretação.

Dessa forma, se faz necessário o trabalho em dupla para o devido revezamento, de 20 em 20 minutos ou menos, para evitar a sobrecarga e esgotamento dos profissionais, como também para manter a qualidade da tradução e assegurar assim que o surdo de fato tenha acesso aos conteúdos na sua língua, conforme garantido em lei. (http://www.feneis.org.br/page/interpretes_postura.asp).

Alguns espaços públicos e privados já reconhecem e respeitam a necessidade do trabalho de TILS, em dupla, remunerando esses profissionais conforme tabela de honorários, seguida na região. Embora ainda não seja regulamentado, mas de interesse das instituições em respeitar os limites psicofisiológicos que envolvem o intérprete no processo tradutório e em respeito às pessoas surdas ao seu direito de acesso às informações na sua língua, garantindo assim a valorização dos profissionais e um processo de inclusão social de fato, a AGILS desde já recomenda e apoia que o trabalho em dupla seja respeitado para que, em breve, venha se tornar um direito garantido em lei a todos os TILS e surdos desse país.

Associação Gaúcha de Intérpretes de Língua de Sinais

AGILS (gestão 2013-2017)